Como usar Git
O básico para versionar seus projetos
10 de fevereiro de 2026
Este pequeno tutorial tem como objetivo apresentar o básico sobre gerenciamento de versões usando o Git, um requisito muito importante se você deseja ser capaz de disponibilizar suas aplicações.
O que é Git?
O Git é um sistema de controle de versão (VCS) que monitora o histórico de alterações à medida que desenvolvedores colaboram com o código. Ele gerencia ramificações (branches), o que facilita a colaboração entre equipes. Também é possível salvar o histórico de edições (commits), facilitando assim o retorno a versões anteriores e o trabalho simultâneo de vários desenvolvedores sem sobrescrever o código de outra pessoa.
Mesmo sendo fortemente recomendado para trabalho simultâneo, você ainda consegue usá-lo sozinho para se organizar e salvar seu trabalho. Imagine que você está trabalhando em uma atualização em seu software e, por descuido, colocou seu sistema operacional para atualizar e ele reiniciou; bom, se você não salvou a sua edição, tudo será perdido. Ou, em colaboração com um colega, você queira ver as alterações feitas por ele: como você irá distinguir isso?
É por isso e para isso que usamos o Git. Com ele, podemos revisitar códigos antigos navegando pelos nossos commits anteriores, criar novos registros de progresso e trabalhar em funcionalidades novas em branches diferentes para não estragar o código que já está funcionando. Além disso, podemos fazer a mesclagem (merge) de outras branches quando essas funções estiverem prontas e, assim, disponibilizar novas versões para os usuários de forma segura.
Bash
O Bash — ou, neste caso, o Git Bash — é uma interface que interpreta comandos para sistemas Unix-like, precisamos falar um pouco dele antes de usarmos o Git. Em poucas palavras, é ele quem vai interpretar os seus comandos e passá-los para o sistema operacional. É através dessa interface que interagimos com o Git.
Comandos Básicos de Navegação
ls- Lista os arquivos e diretórios no diretório atual.cd- Muda o diretório atual. Por exemplo,cd Documentsoucd ..para subir um nível.pwd- Mostra o caminho do diretório atual.mkdir- Cria um novo diretório. Por exemplo,mkdir my_projectrm- Remove arquivos ou diretórios. Use com cuidado! Por exemplo,rm file.txtourm -r my_projectpara remover um diretório e seu conteúdo.clear- Limpa a tela do terminal.
Prática com Bash
Para entender melhor esses comandos a melhor maneira é praticar.

Este é meu terminal aberto. O que significa tudo isso? Bem, kauan é o nome do meu usuário, o @ é um separador visual indicando “em”, e o archlinux é o nome da minha máquina; no seu computador isso será um pouco diferente.
O símbolo ~ é um atalho do Linux/Unix que indica o diretório home do usuário local, o que significa que é meu diretório de trabalho na máquina. O $ mostra que estou com o usuário padrão (não root).
Saídas no terminal
Agora que você já sabe os comandos mais básicos, pode abrir o Bash e se familiarizar com ele. Caso queira saber mais, simplesmente procure por comandos do bash no seu navegador.
Muito importante: para que funcione, você precisa estar no terminal com o Bash. Caso esteja no Windows, baixe a ferramenta do Git, pois já vem com um terminal Bash.
O Básico do Git
O Git trata seus dados como um conjunto de imagens de um sistema de arquivos em miniatura. Toda vez que você faz um commit, ou salva o estado de seu projeto no Git, ele basicamente tira um snapshot de todos os seus arquivos e armazena uma referência para esse conjunto. Para ser eficiente, se os seus arquivos não foram alterados, o Git não armazena o arquivo novamente; ele apenas cria um link para o arquivo idêntico anterior que já está armazenado.
As operações no Git são quase todas locais, o que faz com que quase todos os comandos respondam instantaneamente. O Git armazena o histórico localmente em seu disco, portanto, ele não precisa acessar um servidor externo ou outro computador em sua rede para a maioria das tarefas. Assim, se você precisar ver os seus últimos commits, o Git os buscará no banco de dados local e, em segundos, apresentará a saída no terminal.
Integridade
Tudo no Git passa por checksum (soma de verificação) antes de ser armazenado e é referenciado por esse checksum. Isto significa que é impossivel mudar um conteúdo sem que o Git saiba. Essa funcionalidade está incorporada nos níveis mais baixos do Git. Você não perderá informações durante a transferência e não receberá um arquivo corrompido sem que o Git seja capaz de detectar. O mecanismo que o Git usa para fazer a soma de verificação é chamado de hash SHA-1. Está é uma sequencia de 40 caracteres hexadecimais (0-9 e-f) e é calculada com base no conteúdo de uma estrutura de arquivos ou diretório Git. Um hash SHA-1 é algo parecido com:
24b9da6552252987aa493b52f8696cd6d3b00373
Você verá valores de hash em todo o lugar no Git. Na verdade, o Git armazena tudo em seu banco de dados não pelo no do arquivo, mas pelo valor do hash do seu conteúdo.
Três Estados
Esta é a parte mais importante do funcionamento do Git. O Git possui três estados diferentes em que seus arquivos podem estar: commited, modificado (modified) e preparado (staged).
- Commited significa que os dados estão armazenados de forma segura no seu banco de dados local.
- Modified significa que você alterou o arquivo, mas ainda não fez o commit no seu banco de dados.
- Staged significa que você marcou a versão atual de um arquivo modificado para fazer parte de seu próximo commit.
Isso nos leva a três seções principais de um projeto: o diretório Git, o diretório de trabalho e a área de preparo.
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O diretório Git é onde o Git armazena os metadados do banco de dados de objetos de seu projeto. É a parte mais importante do Git e é copiado quando você clona o repositório de outro computador.
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O diretório de trabalho é uma cópia simples de uma versão do projeto. Esses arquivos são obtidos do banco de dados compactado no diretório Git e colocados no disco para que você possa usar.
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A área de preparo é um arquivo, geralmente dentro do seu repositório Git, que armazena as informações sobre o que irá entrar no seu próximo commit. É comumente chamada de área de preparo (staging area).
Comandos Básicos e o Ciclo de Vida
Agora que você entende os estados, veja como os comandos movem seus arquivos entre eles:
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git init
É o ponto de partida. Este comando cria um novo diretório Git (a pasta oculta
.git). Ele inicializa o projeto para que o Git comece a monitorar suas alterações.- Onde se aplica: Cria o Diretório Git.
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git status
Este é o seu melhor amigo. Ele mostra em qual estado seus arquivos estão. Ele dirá se você tem arquivos modificados que ainda não foram preparados, ou arquivos na área de preparo aguardando um commit.
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git add
Quando você altera um arquivo no seu Diretório de Trabalho, ele entra no estado Modified. Para movê-lo para o próximo estágio, você usa o
git add.- Onde se aplica: Move o arquivo do diretório de trabalho para a Área de Preparo (Staging Area).
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git commit
O commit tira o “snapshot” de tudo o que você colocou na área de preparo. Ele salva permanentemente essa versão no seu banco de dados local com uma mensagem descrevendo o que foi feito.
- Onde se aplica: Move os arquivos da área de preparo para o estado Committed (Diretório Git).
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git branch
Como vimos, o Git trabalha com ramificações. O comando
git branchpermite listar, criar ou excluir essas ramificações. É o que permite que você saia da linha principal (geralmente chamada de main) para testar uma ideia nova sem estragar o que já está pronto.
No seu dia a dia como desenvolvedor, você provavelmente usará esses comandos em um ciclo contínuo: editar arquivos, verificar o status, preparar as alterações e fazer commits regularmente para salvar seu progresso. Com o tempo, você se familiarizará com esses comandos e eles se tornarão uma segunda natureza para você.